O legado de Chico Mendes

Pelas “mãos” de Chico Mendes: uma crítica à hegemonia do ambientalismo de mercado no Acre – Brasil
(Elder Andrade de Paula, Francisco Bento da Silva e Sílvio Simione da Silva)

Há aproximadamente trinta anos, os seringueiros do Acre começavam um forte movimento de resistência. Nascia a organização da classe camponesa na floresta, numa luta política por seu território. Surgem importantes lideranças sindicais como Wilson Pinheiro e Chico Mendes que acabaram integrando a longa lista de lideranças camponesas assassinadas pelo latifúndio na Amazônia brasileira (aproximadamente 2000 nos últimos 40 anos).

Ao final da década de 1990, uma coligação partidária  levou segmentos da esquerda, aliada a algumas lideranças dos movimentos sociais e de centro direita ao governo do Acre – era o “Governo da  Floresta”. Inicia-se então, um projeto para o Estado fundamentado na ideologia do “desenvolvimento sustentável”, mormente a matriz difundida pelo Banco Mundial e grandes ONGs ambientalistas internacionais. Nesse projeto, o re-ordenamento do  uso do território da floresta  apóia-se no discurso da virtuosidade do “mercado” como garantidor da conservação ambiental.  As iniciativas voltadas para a intensificação da mercantilização dos bens naturais, especialmente a madeira, são justificadas e apresentados como se fossem  a “realização dos ideais” dos seringueiros e seus mártires.  Há, portanto, apropriação de símbolos das lutas sociais dos povos da floresta para legitimar localmente a sua espoliação.

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Movimentos Sociais na Amazônia Brasileira: 20 anos sem Chico Mendes
(Elder Andrade de Paula e Sílvio Simione da Silva)

Governo do Estado do Acre, instituições do governo federal, Comitê Chico Mendes, representantes do sindicalismo rural e Rede Globo tomaram a iniciativa em 2008, de marcar através de uma série de eventos, os “vinte anos sem Chico Mendes”. As diversas encenações anunciadas procuram coroar em “alto estilo” uma monumental transmutação do legado revolucionário de uma das principais lideranças do sindicalismo rural na Amazônia brasileira, convertido em pacato “ambientalista”. O objetivo desta Comunicação é mostrar que essa transmutação foi habilmente articulada pelo Estado (no sentido ampliado) na tentativa de re-significar a natureza e a cultura para fins de legitimação da ideologia do “desenvolvimento sustentável” e assim, facilitar o processo de espoliação em curso na Amazônia. Nas conclusões, procura-se mostrar que apesar de bem sucedida no decorrer dessas duas décadas, essa estratégia começa a mostrar sinais de esgotamento, existem evidências de retomada da “voz” por parte de alguns movimentos sociais na região.

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