DEFESA DA TERRA E DO AMBIENTE EM DEBATE NA SEDUFSM

O convidado do 52º Cultura na SEDUFSM, que acontece na segunda-feira, 23, às 19h, no auditório do sindicato, é um dos militantes mais expressivos da luta pela terra. Nascido no final da década de 1950, na região do Acre tomada pela extração da borracha, Osmarino Amâncio conheceu de perto as agruras do povo seringueiro e empobrecido. Ele vem a Santa Maria falar sobre dois temas que lhe são muito caros: “reforma agrária e meio ambiente”.

Quando jovem, acompanhou Chico Mendes nas primeiras ações de resistência seringueira à expulsão promovida pela polícia e, anos depois, citaria, com emoção, um sonho profetizado por Chico pouco antes de morrer: “Atenção jovens do futuro, no ano de 2120 vai acontecer o primeiro aniversário da revolução socialista mundial, que vai pôr fim a todos os inimigos do planeta”. Entendendo que sua luta pela terra é uma luta, essencialmente, anticapitalista, Osmarino Amâncio critica a ideia de mercantilização dos bens naturais e desnuda o caráter perverso do chamado ‘desenvolvimento sustentável’.

Um dos responsáveis pela Reserva Extrativista Chico Mendes, Osmarino afirma que a criação dessa reserva foi a maior conquista do movimento devido ao grande número de pessoas que perderam suas vidas naquele processo. Em entrevista publicada em seu blog, o militante esclarece que a Reserva veio acompanhada de uma proposta de reforma agrária para a região. “Na época, não era nem uma questão de ecologia, era de sobrevivência mesmo. O seringueiro só tinha condição de sobreviver se tivesse como tirar o látex, a borracha, a castanha e a pesca”, relembra.

Quando fala sobre a situação atual do movimento pela reforma agrária, ele argumenta o porquê de sua corrosão. “O ponto fundamental desse movimento para ele ter sido consolidado era a capacitação, a formação e a educação. Como isso não foi feito, o movimento hoje está totalmente refém do discurso do mercado”, analisa. “É ruim para as gerações futuras, é ruim para nós agora, mas para o mercado é bom”. Osmarino acredita que nem a esquerda oferece, hoje, uma proposição de enfrentamento à lógica destrutiva do capitalismo.

Tribunal Popular da Terra

As práticas opressivas comandadas pelo Estado brasileiro contra a população empobrecida do campo e da cidade serão o tema do Tribunal Popular da Terra, que teve início nessa sexta-feira, 20, e irá até domingo, 22. As atividades ocorrem no sacolão das Artes (Capão Redondo, periferia da zona sul de São Paulo) e são ministradas por nomes como Plínio de Arruda Sampaio (ex-candidato a presidência da República pelo PSOL), Paulo Arantes (professor da USP), Jairo Salvador (defensor público que atuou no caso do Pinheirinho) e o próprio Osmarino.

Alguns casos que estão apresentados e debatidos no evento são a desocupação do Pinheirinho; a construção da usina de Belo Monte; as remoções em Fortaleza devido à Copa do Mundo de 2014 e as ameaças de morte proferidas a militantes.

Texto: Bruna Homrich (estagiária)
Edição: Fritz Nunes (SEDUFSM)

Fonte: http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=noticias&id=850

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