A elite do seringal

CM Amazônia

Durante debate promovido pela Rede Bandeirantes entre candidatos à Presidência da República, Marina Silva fez algumas afirmações sobre Chico Mendes que alcançaram grande repercussão, especialmente nas redes sociais:

marina chico elite

O significado de elite

A resposta de Marina Silva (“eu não tenho preconceito contra condição econômica”) não foi nada surpreendente, considerando-se as alianças que a ex-senadora do Acre vem construindo ao longo de sua trajetória política. O problema foi a utilização do nome de Chico Mendes para ressaltar as qualidades que Marina atribui a Guilherme Leal (Natura) e Neca Setúbal (Itaú).

Chico Mendes foi assassinado em 1988, antes do “Fim da História”. Não podemos afirmar quais seriam as ideias que ele defenderia hoje, se estivesse vivo, mas sabemos quais foram as que ele defendeu até a morte. Se para Marina não existe antagonismo de classes, pra Chico existia. E é isso que importa.

Algumas pessoas afirmaram que a resposta de Marina deveria ser entendida como um elogio a Chico Mendes. Ela teria utilizado a palavra “elite” para “fazer referência ao que há de melhor”. Entretanto, essa afirmação também traz problemas. Não negamos o fato de que Chico era um ser humano especial. Mas não nos parece apropriado destacá-lo do movimento que liderou. Atualmente, muitos pensam que ele era diferente daqueles trabalhadores que ainda vivem na floresta, em conflito com os órgãos de fiscalização ambiental. Ou seja, esse tipo de afirmação (Chico era “o melhor”, era “elite”), baseada em uma idealização que descaracteriza sua imagem, tem permitido que os trabalhadores extrativistas sejam considerados “inimigos da floresta” que abandonaram o “sonho de Chico Mendes” (como se ele tivesse sonhado sozinho). Chico não era só “mais um”, mas não se tornaria quem foi sem a luta de outros tantos.

Sindicalista ou Ecologista

Após as declarações de Marina, o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Xapuri divulgou uma nota combatendo a divulgação de uma “visão distorcida de Chico Mendes”. A afirmação de que Chico “foi um sindicalista e não um ambientalista” não foi bem recebida por todos. Entendemos que o propósito das afirmações não é o de negar a importância da figura de Chico Mendes para a luta dos ecologistas que compreendem a necessidade de superação do capital, mas resgatar o seu compromisso com a luta dos trabalhadores do campo/floresta. Luta que não pode ser conciliada com os interesses dos empresários e ruralistas “verdes” associados a Marina.

No vídeo abaixo, posição de Osmarino sobre o tema:

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2 respostas em “A elite do seringal

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